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Casulo

  Quando você surgiu em minha vida, estava no meio não de um "mar" mas de um maremoto de "eus" por todos os lados. Quando você nasceu tive que mudar para "eles" mesmo sem saber mais quem era eu ou o que eu era melhor dizendo. Não sabia mais quem eu era com a completa demolição de todo um projeto de vida que não consegui construir. Neste ponto tudo era passado mesmo porque o futuro imaginado acabava de deixar de existir. Não podia mais ser quem eu era e também não sabia como ser quem eu precisava ser a partir deste grande ponto zero na minha nova vida.  Mesmo passado 5 anos, ás vezes dou uma "rateada", me apego em lamúrias mas ao mesmo tempo sei que evolui em minha paternidade. Um processo quer começou lá no marco zero com a preocupação com "ela" depois somada com o "ele" que ameaçava a sanidade do "eu".  O nascimento de meu filho conseguiu me retirar "a fórceps" do casulo do "eu". Não existia mais...

Órfãos

Os furacões, maremotos, terremotos, avalanches, tsunamis, secas, enchentes, deslizamentos, descasos, desmandos, remanejamentos de verbas, guerras civis, fratricidas (todas as guerras são fratricidas na minha opinião), transformam milhões de pessoas em refugiados, números, almas. Geram lucros e órfãos ao desmembrar indivíduos e famílias. Incrivelmente neste mundo, parece que precisa acontecer o pior para o melhor aparecer apesar das muitas vítimas só se igualarem com a grandeza da atitude de poucos.  Felizmente a famosa Lei que versa que "tudo se transforma" também se aplica em alguns dos casos com a formação de novas famílias com adoções de filhos ou apoio aos adultos refugiados. Muitos entendem que fazemos parte da grande família humana que se não conhece fronteiras de amor o que dirá daquela física entre países.  Vivemos em um tempo em que um pai pode ser mãe também, uma mãe pode ser pai e ter esposa em uma expansão de amor de doação que não conhece fronteiras gênero afinal...

O escritor e o equilibrista

  Todo artista sem sua arte se sente menor, mutilado e incompleto. Picasso em seus mais de 80 anos de idade dizia que não se cansava ao pintar mas sim quando tinha que entreter as visitas.  Existe ainda o caso de um grande pianista internacional que em sua idade avançada sofria de artrose, artrite e tinha enorme dificuldade para se levantar da cama. Seu caminhar era lento, trôpego (sempre quis usar esta palavra!) e com um infinito arrastar dos pés. Sua postura? A pior possível: curvado para frente e com a cabeça quase sempre voltada para baixo. No entanto, todas as manhãs ao se levantar da cama ele corria ao encontro da sua arte andando lentamente em direção ao seu piano de cauda. Lá, ao sentar em seu banquinho uma metamorfose acontecia: Seu tronco tornava-se ereto com a subida de seus ombros e o levantamento de sua cabeça. os pés assumiam sua posição de repouso retos no chão ou devidamente posicionados nos pedais do instrumento musical. Seus dedos encurvados se abriam ganhand...

Pasárgada

Aqui não sou amigo do Rei, eu sou o Rei do pedaço. O pedaço de tela onde crio, escrevo e mando. Mando inclusive e principalmente, meus pensamentos, sentimentos, impressões e observações para fora e para dentro não mais do papel, mas do blog. Pasárgada por que não sou feliz mais lá no mundo que não  me dá subsídios para encontrar com minha substância aqui registrada na mais pura tradução de pensamentos em letras, palavras, parágrafos, textos e pensamentos que ás vezes podem fazer você até parar para ler e pensar. Aqui o céu é mais azul no branco pulsante da tela que generosamente aguarda minhas ás vezes, aguadas mágoas mas principalmente funciona para expor o meu interno.  Pasárgada porque aqui fora não está dando mais mesmo eu dando tanto. A insensatez e indiferença que ignora e segrega o diferente, que não mais se seduz com o raro, que nos quer commodity.  Aqui terei a musa que quero e na pauta que escolherei. E esta musa será tão somente o que me seduz a escrever. Um es...